RESISTO
Meus
dedos correm nos móveis como dois meninos bobos.
A
esbaldarem-se simplesmente com a superfície lisa.
Meus
olhos correm nas coisas como fantasmas que atravessam paredes.
Quero
gritar e emudeço.
Quero
dizer: não, não, não.
Não
mereço.
Mas
calada observo.
Há
potes vazios.
E
ainda o sonho de preenchê-los resiste.
Ainda
que eu viva tão triste...
SONIA DELSIN

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