A BORBOLETINHA AZUL
Ela voava de flor em flor.
Mas notei que parecia meio perdidinha.
Notei que voava meio caidinha.
Pendia pro lado direito.
Queria pegá-la. Cuidá-la.
Mas lepidópteros não entendem de nossos sentimentos.
Ou entendem?
A borboletinha tinha momentos que parecia ir meio às
cegas.
Fiquei seriamente preocupada observando.
Ela se demorou na minha orquídea.
Fiquei olhando.
Ela parecia estar arfando.
Estou exagerando?
Claro que estou!
É imaginação demais.
Fiquei a olhar.
Ela parecia não querer mais voar.
Com o perfume da minha bela orquídea ficara
embriagada?
Ou estaria encantada?
Ou ainda, muito machucada?
Meu dedo foi em sua direção e ela alçou voo.
Claro que estava enxergando e bem.
Pra voar daquele jeito só com a aproximação do meu
dedo.
Logo ela parava em cima de uma petúnia e lá parecia de
novo arfar.
Seriamente comecei a me preocupar.
Sou de preocupar com insetos, com animais. Até com
flores.
Foi neste instante que o telefone tocou e fui atender.
Quando voltei a borboletinha já não estava em meu
jardim e pensei o que tinha sido feito dela.
Devia ter voado.
Ela só tirara um tempinho.
Tinha só descansado.
SONIA DELSIN

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