quarta-feira, 30 de janeiro de 2013




APRENDI A ACEITAR

Foi assim.
Nossas mãos se agarram fortemente.
Nossos olhos se olharam fixamente.
Você foi me falando suavemente.
Nossos corpos se aproximaram.
Senti como tremia.
Era a agonia.
Deus! Nunca vou esquecer.
Nunca, pai.
Nunca vou me esquecer do seu morrer.

Mas se tranquilize.
Hoje em dia eu aprendi a aceitar.
Entendi que a morte é só uma forma de nos transportar.
De um para outro lugar.

Pai, eu sinto como está próximo a mim.
É como se ainda estivesse aqui do meu lado.
É sim.

Eu lhe falo e sinto seu olhar.
Ainda que pareça em certos momentos que existe um abismo a nos separar.

SONIA DELSIN



BALÉ DAS FOLHAS

Eram as folhas e eu no caminho.
Meus passos leves procuravam delas desviar
e o vento parecia cantar.
O vento vinha brincar.
Elas corriam pra todo canto
e parada eu observava.
Aquele balé a pensar me levava.
Por que tanto me preocupar?
Por que me desesperar?
Se somos como as folhas.
Leves, efêmeros.
E também voamos no ar.
Numa fração de segundos podemos
nos transportar.

SONIA DELSIN



MEU AMIGO

Amigo.
Como é bom quando você chega e fala comigo.
Como é bom poder abrir o coração e lhe falar.
Poder desabafar.
Amigo. Há quanto tempo estávamos sem nos encontrar.
Mas há sempre entre nós muito encanto.
Viu? Você chegou e de novo me pegou em pranto.
Mas me diz que é bom. Que é pra limpar a alma.
Preciso mesmo deixar fluir.
Em certos momentos fica tão difícil o meu existir.
Amigo.
Fica mais bonito o mundo quando você chega.
Fica colorido.
Parece que tudo ganha novo sentido.
Porque me oferece um colo bom.
Um colo que eu estava precisando.
Estava lhe falando e fui ficando leve.
Realmente, amigo.
Por que preciso me preocupar tanto se a vida é breve?

SONIA DELSIN



UM LINDO SORRISO

Diziam que a alma daquele rosto eram os olhos.
Eu diria que era o sorriso.
E ele morreu?
Resta o que naquele rosto?
Uma lágrima que desce escorregando?
Uma boca que vive um nome chamando?
Pobre mulher.
Perdeu a capacidade de rir?
Não encontra mais razão no seu existir?
O lindo sorriso precisa voltar pra dar vida àquele olhar.
Não pode um sorriso destes se apagar.
Em hipótese alguma pode se apagar...
Mas algo me diz que muito em breve ele vai voltar.
Pra seu rosto iluminar.

SONIA DELSIN



ERA UMA VEZ UM AMOR


Ele dizia que por ela morria.
Que ela era a razão da sua noite.
De seu dia.
Só ao lado dela encontrava alegria.

Como flor mal cuidada o amor secou.
No ralo escoou.
Ou foi a ferrugem do tempo que o gastou?
Só sei que como tudo se acaba,
este amor que era tão lindo se acabou.


SONIA DELSIN



VIVA!

É a vida a gritar comigo.
Viva!
É o cacho de acácia a me cobrar.
Olha.
É o rio a correr que vem me mostrar.
Sim. Que a esperança não pode acabar.
É minha infância que o rio vem lembrar.
De cócoras à  margem de um córrego eu vivia a sonhar.
Com um mundo que eu gostava de imaginar.
Viva!
São os pássaros a gritar.
Os galhos das árvores a balançar e me contar.
Existe a esperança sim.
Ainda o mundo reserva muita coisa boa pra mim.
Viva!
A vida é pra viver. Muito feliz ainda posso ser.

SONIA DELSIN



OUTROS TEMPOS

Que tempo bom foi aquele
em que eu acreditava
em todas as tuas palavras.
Em que eu te esperava
na minha vida
como a princesa
espera
o seu príncipe encantado.
Que tempo bom foi aquele que ficava olhando
o peixinho dourado.
E namorava um vestido guardado.
Esperava a hora, o dia.
Em mim só existia a alegria.
Os castelos foram um a um desmoronados.
Os meus jardins de sonhos arruinados.
Foram outros tempos aqueles.
Tempos de sonhar.
Chegaram os tempos de chorar.
E chegou este tempo de agora.
Tempo que tudo me parece que demora.
Anseio por nova aurora.

SONIA DELSIN