sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013




VOU NADAR NUA

Nestas calmas águas já banhei meu corpo.
Já lavei minha alma nestas tranquilas águas.
Se em outros tempos eu temia o monstro do lago.
Hoje é o monstro que me teme.

Ele teme o meu silêncio e o meu jeito circunspeto.
Posso mirar as águas e até tirar a roupa.
Nadar nua, que a lua...
Ah! A lua está brincando de esconde-esconde com uma nuvem negra.

Vai chover e a água do lago está gelada.
Não me incomoda o frio.
Nada mais me importa.
Pois que estou quase morta.

Mas nestas águas posso me revigorar.
Elas tiveram sempre o dom de me renovar.

Vou nadar... Nadar até a chuva chegar.
Então sim sairei correndo na chuva.
Dançarei e não me envergonharei da minha nudez
porque na escuridão estaremos só nós três.

A noite, meu corpo nu e a chuva despencando.
Meu ser todinho se renovando...

SONIA DELSIN

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