VOU
NADAR NUA
Nestas
calmas águas já banhei meu corpo.
Já
lavei minha alma nestas tranquilas águas.
Se
em outros tempos eu temia o monstro do lago.
Hoje
é o monstro que me teme.
Ele
teme o meu silêncio e o meu jeito circunspeto.
Posso
mirar as águas e até tirar a roupa.
Nadar
nua, que a lua...
Ah!
A lua está brincando de esconde-esconde com uma nuvem negra.
Vai
chover e a água do lago está gelada.
Não
me incomoda o frio.
Nada
mais me importa.
Pois
que estou quase morta.
Mas
nestas águas posso me revigorar.
Elas
tiveram sempre o dom de me renovar.
Vou
nadar... Nadar até a chuva chegar.
Então
sim sairei correndo na chuva.
Dançarei
e não me envergonharei da minha nudez
porque
na escuridão estaremos só nós três.
A
noite, meu corpo nu e a chuva despencando.
Meu
ser todinho se renovando...
SONIA DELSIN

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