DENTRO DA NOITE...
Uma descrente...
Vi a cena à minha frente.
Despida de realidade vi a mulher
perdida na cidade.
Ela se vendia...
Buscava companhia.
Seu hálito a cachaça recendia.
O que eu podia fazer?
O que tinha a lhe oferecer?
Não se ensina alguém a crer...
Eu podia chamá-la.
Podia lhe falar de amor.
Mas como atingir um coração tão
cheio de amargor?
Vi a mulher para o viaduto se
encaminhando.
Via-a ao parapeito se encostando.
Pensei que ela estava a paisagem
admirando...
Mas ao invés disso ela estava de lá
se atirando.
Eu a vi caindo e não conseguia
acreditar no que via.
Lá embaixo uma mulher morria.
Enquanto a cidade dormia.
(...)
Eu sonhava em minha cama
confortável e me aconchegava às cobertas macias.
Lembrando do sonho me levantei e
abri a janela.
Lá fora uma neblina tomava conta da
noite.
Foi só um pesadelo, pensei.
Ainda bem que acordei...
SONIA DELSIN

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