sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013




DENTRO DA NOITE...

Uma descrente...
Vi a cena à minha frente.
Despida de realidade vi a mulher perdida na cidade.

Ela se vendia...
Buscava companhia.
Seu hálito a cachaça recendia.

O que eu podia fazer?
O que tinha a lhe oferecer?
Não se ensina alguém a crer...

Eu podia chamá-la.
Podia lhe falar de amor.
Mas como atingir um coração tão cheio de amargor?

Vi a mulher para o viaduto se encaminhando.
Via-a ao parapeito se encostando.
Pensei que ela estava a paisagem admirando...
Mas ao invés disso ela estava de lá se atirando.

Eu a vi caindo e não conseguia acreditar no que via.
Lá embaixo uma mulher morria.
Enquanto a cidade dormia.

(...)

Eu sonhava em minha cama confortável e me aconchegava às cobertas macias.

Lembrando do sonho me levantei e abri a janela.
Lá fora uma neblina tomava conta da noite.
Foi só um pesadelo, pensei.
Ainda bem que acordei...

SONIA DELSIN

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