sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013




SUAS MÃOS CIGANAS

Elas se grudaram às minhas.
Seguraram forte.
Quiseram deter a morte.
Conseguiram milagres estas suas mãos ciganas.
Elas vieram para me tirar a dor.
E quanto carinho me entregaram, meu amor!

Depois...
Bem depois elas descobriram que gostavam
de andar no meu rosto,
no meu colo macio,
no meu corpo que se desnudava.

Suas mãos me acalentaram num tempo de sofrimento.
Mas aos poucos fomos descobrindo
que era forte o sentimento.

Outro tempo chegou.
Um que me machucou...
O de sua mão não alcançar a minha.
Eu lhe chamava e você não vinha.

Será que sua mão cigana não reclama?
Não sente falta de me tocar?
Não posso acreditar que tanto amor possa se acabar.

Quantas vezes de olhos abertos me ponho a sonhar...
Suas mãos ciganas estão a me acariciar...

Recuso-me a acordar, porque sem elas não consigo me acostumar...

SONIA DELSIN

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