SUAS MÃOS CIGANAS
Elas se grudaram às minhas.
Seguraram forte.
Quiseram deter a morte.
Conseguiram milagres estas suas
mãos ciganas.
Elas vieram para me tirar a dor.
E quanto carinho me entregaram, meu
amor!
Depois...
Bem depois elas descobriram que
gostavam
de andar no meu rosto,
no meu colo macio,
no meu corpo que se desnudava.
Suas mãos me acalentaram num tempo
de sofrimento.
Mas aos poucos fomos descobrindo
que era forte o sentimento.
Outro tempo chegou.
Um que me machucou...
O de sua mão não alcançar a minha.
Eu lhe chamava e você não vinha.
Será que sua mão cigana não
reclama?
Não sente falta de me tocar?
Não posso acreditar que tanto amor
possa se acabar.
Quantas vezes de olhos abertos me
ponho a sonhar...
Suas mãos ciganas estão a me
acariciar...
Recuso-me a acordar, porque sem
elas não consigo me acostumar...
SONIA DELSIN

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