sábado, 2 de fevereiro de 2013




ESTRANHO SONHO

Tive um sonho estranho.
Um doido devaneio.
Como ele me veio?

Foi com minha morte que sonhei.
Vi até o sepultamento.
Tudo. Tudo. Cada momento.

Fui enterrada num cemitério que mais parecia um jardim.
Tinha mesmo que ser assim.

Embaixo de uma bela árvore descansaram meu corpo cansado.
Pela vida ele sempre foi tão judiado.

Mais eis que quando a terra já me cobria uma homenagem alguém me fazia.
Um discurso breve. Uma palavra leve.

De repente uma orquestra se organizou e o cemitério um pouco mais triste ficou.
Vi nos rostos sérios a dor...
Soube precisamente quem me tinha imenso amor.

A orquestra que falei se compunha de algumas aves coloridas.
E eram tão bonitas.

Meu corpo jazia sob a terra, mas meu espírito pairava sobre a pequena multidão.
Aproximei-me de alguém que murmurava uma oração.

Eu também rezava.
E não chorava.
A liberdade de meu ser me inebriava.
Sabia que podia voar, ir para qualquer lugar.
Tinha por fim conseguido me libertar.
Mas aquela celebração me pertencia e eu não ia.

Estava presa ao momento. Ao sepultamento.

Passou-se o tempo e todos foram se afastando.
Cabisbaixos o local foram deixando.
Baixei os olhos para a campa triste e também parti.
Deixei meu corpo descansando ali.

SONIA DELSIN

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